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Como era o mundo na última rejeição do Senado a um ministro do STF, 132 anos atrás?

Entre 1892 e 1895, o STF ocupou, provisoriamente, o Solar do Conde da Barca, na Rua do Passeio



O Senado rejeitou nesta quarta-feira (29) a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Segundo levantamento da Agência Senado, a última vez que a Casa rejeitou a indicação de um ministro ocorreu há 132 anos. Em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil, cinco nomes foram barrados:

  • Barata Ribeiro,
  • Innocêncio Galvão de Queiroz,
  • Ewerton Quadros,
  • Antônio Sève Navarro,
  • Demosthenes da Silveira Lobo.

 Isso aconteceu porque o processo de escolha para o Supremo no começo da República no Brasil ainda era marcado por forte instabilidade institucional. A maior parte dos designados não tinham formação jurídica e, em vários casos, tinham perfil mais político ou militar, o que gerou resistência no Senado.


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Quase duas décadas depois, como era o Brasil naquela época?


  • A aviação ainda não existia: Em 1906, Santos Dumont faria em Paris o voo do 14-Bis — decolagem autônoma, sem catapulta, diante de uma multidão — aquele que o Brasil reconhece como o primeiro voo da história.
  • O futebol ainda dava os primeiros passos no Brasil: o esporte foi introduzido naquele mesmo ano por Charles Miller, que trouxe bolas e regras da Inglaterra. No entanto, a prática era restrita a círculos da elite paulista e ainda levaria anos para se popularizar e ganhar campeonatos organizados.
  • Não havia rádio nem televisão: a comunicação de massa era limitada aos jornais impressos. As primeiras transmissões de rádio no Brasil só ocorreriam em 1922, enquanto a televisão chegaria em 1950. Em 1894, notícias circulavam mais lentamente e dependiam da distribuição física dos periódicos.
  • O cinema ainda estava nascendo: a primeira exibição pública de filmes aconteceria apenas em 1895, na França, com os irmãos Auguste Lumière e Louis Lumière. Ou seja, na época, nem mesmo a ideia de assistir a imagens em movimento em uma sala de exibição fazia parte do cotidiano.
  • O Brasil era majoritariamente rural: a economia girava em torno da exportação de café, especialmente no Sudeste. A industrialização ainda era incipiente, e a maior parte da população vivia no campo, com acesso limitado a serviços urbanos e infraestrutura.
  • A escravidão havia sido abolida recentemente: a Lei Áurea, assinada em 1888 por Princesa Isabel, ainda era um marco recente. O país vivia os impactos sociais e econômicos do pós-abolição, sem políticas estruturadas de inclusão para a população negra libertada.
  • O voto não era secreto: o sistema eleitoral era aberto, o que facilitava pressões e fraudes. Esse modelo ajudou a consolidar práticas como o “voto de cabresto”, em que eleitores eram influenciados por líderes locais. O voto secreto só seria adotado no Brasil em 1932.
  • Os brasileiros viviam muito menos: dados históricos do IBGE indicam que, por volta de 1900, a expectativa de vida no Brasil era de cerca de 33,7 anos.

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Fonte: G1

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