A fabricação de um extintor de incêndio é um processo industrial rigoroso que combina metalurgia de precisão e engenharia química para garantir que o dispositivo suporte altas pressões e funcione instantaneamente em emergências.
Abaixo, detalhamos as etapas principais do processo:
1. Fabricação do Cilindro (Corpo)
O cilindro é a parte que armazena o agente extintor sob pressão.
- Corte e Moldagem: Chapas de aço carbono ou ligas de alumínio são cortadas e moldadas em prensas hidráulicas.
- Soldagem: As partes (corpo cilíndrico, cúpula superior e fundo) são unidas através de solda MIG ou processos de brasagem (fusão com anéis de cobre em fornos de alta temperatura).
- Tratamento e Pintura: O cilindro passa por limpeza e desengraxagem. Em seguida, recebe pintura eletrostática a pó na cor vermelha, que é curada em estufas para garantir resistência à corrosão.
2. Componentes Internos e Válvulas
- Tubo Sifão: Um tubo (geralmente de alumínio ou plástico) é inserido no cilindro. Ele alcança o fundo para garantir que o agente extintor seja expelido quando o gatilho for acionado.
- Válvula e Gatilho: Fabricados em latão forjado ou metais não ferrosos, esses componentes controlam o fluxo de saída e incluem o manômetro (que indica a pressão interna) e o pino de segurança com lacre.
3. Carga do Agente Extintor
O cilindro é preenchido com o material específico para combater o fogo, dependendo da classe:
- Pó Químico (ABC ou BC): Composto principalmente por fosfato monoamônico ou bicarbonato de sódio.
- Água ou Espuma: Misturas líquidas pressurizadas.
- Dióxido de Carbono (CO2): Armazenado em estado líquido sob altíssima pressão.
4. Pressurização e Testes de Qualidade
- Pressurização: Após o enchimento, o extintor é pressurizado com nitrogênio ou ar comprimido até atingir a pressão operacional (geralmente cerca de 13 a 14 bar).
- Teste Hidrostático: Antes de sair da fábrica, cada cilindro é submetido a testes de pressão para verificar se não há vazamentos ou deformações, garantindo a conformidade com normas como a ABNT NBR 15808.
- Sinalização: São aplicados o rótulo de instrução e o selo do Inmetro, que atesta a segurança do produto.
Os extintores são classificados de acordo com o tipo de material que o seu agente extintor (o conteúdo interno) é capaz de apagar. O uso do extintor errado pode agravar o incêndio.
Aqui estão os principais tipos e suas aplicações:
1. Extintor de Água Pressurizada (Classe A)
- Indicação: Fogos em materiais sólidos que deixam resíduos, como madeira, papel, tecido e borracha.
- Como age: Por resfriamento.
- Atenção: Nunca use em equipamentos elétricos (conduz eletricidade) ou em óleo/líquidos inflamáveis (espalha as chamas).
2. Extintor de Dióxido de Carbono (CO2) (Classes B e C)
- Indicação: Ideal para equipamentos elétricos energizados (computadores, quadros de força) porque não conduz eletricidade e não deixa resíduos. Também é eficaz em líquidos inflamáveis.
- Como age: Por abafamento e resfriamento rápido.
- Dica: É fácil de identificar porque não possui manômetro (relógio de pressão) e tem um "difusor" largo na ponta.
3. Extintor de Pó Químico (PQS)
Existem dois tipos principais de pó:
- Pó BC: Indicado para líquidos inflamáveis (B) e eletricidade (C).
- Pó ABC: O mais versátil e comum hoje em dia, pois atende a todas as classes principais (A, B e C). É muito usado em carros e edifícios comerciais.
- Como age: Interrompe a reação química do fogo por abafamento.
4. Extintores Especiais (Classes D e K)
- Classe D (Pó Especial): Para metais combustíveis (como magnésio e titânio), comuns em indústrias.
- Classe K (Acetato de Potássio): Específico para cozinhas industriais (óleo de cozinha e gordura quente).
Guia Rápido de Classes de Fogo:
- A: Sólidos (madeira, papel)
- B: Líquidos inflamáveis (gasolina, álcool)
- C: Equipamentos elétricos (TVs, motores)
- D: Metais pirofóricos
- K: Óleos e gorduras vegetais/animais
Para garantir a segurança, você pode verificar a validade no selo do Inmetro fixado no cilindro.

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