Como era o mundo na última rejeição do Senado a um ministro do STF, 132 anos atrás?

Entre 1892 e 1895, o STF ocupou, provisoriamente, o Solar do Conde da Barca, na Rua do Passeio



O Senado rejeitou nesta quarta-feira (29) a indicação de Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), após sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

Segundo levantamento da Agência Senado, a última vez que a Casa rejeitou a indicação de um ministro ocorreu há 132 anos. Em 1894, durante o governo do marechal Floriano Peixoto, segundo presidente do Brasil, cinco nomes foram barrados:

  • Barata Ribeiro,
  • Innocêncio Galvão de Queiroz,
  • Ewerton Quadros,
  • Antônio Sève Navarro,
  • Demosthenes da Silveira Lobo.

 Isso aconteceu porque o processo de escolha para o Supremo no começo da República no Brasil ainda era marcado por forte instabilidade institucional. A maior parte dos designados não tinham formação jurídica e, em vários casos, tinham perfil mais político ou militar, o que gerou resistência no Senado.


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Quase duas décadas depois, como era o Brasil naquela época?


  • A aviação ainda não existia: Em 1906, Santos Dumont faria em Paris o voo do 14-Bis — decolagem autônoma, sem catapulta, diante de uma multidão — aquele que o Brasil reconhece como o primeiro voo da história.
  • O futebol ainda dava os primeiros passos no Brasil: o esporte foi introduzido naquele mesmo ano por Charles Miller, que trouxe bolas e regras da Inglaterra. No entanto, a prática era restrita a círculos da elite paulista e ainda levaria anos para se popularizar e ganhar campeonatos organizados.
  • Não havia rádio nem televisão: a comunicação de massa era limitada aos jornais impressos. As primeiras transmissões de rádio no Brasil só ocorreriam em 1922, enquanto a televisão chegaria em 1950. Em 1894, notícias circulavam mais lentamente e dependiam da distribuição física dos periódicos.
  • O cinema ainda estava nascendo: a primeira exibição pública de filmes aconteceria apenas em 1895, na França, com os irmãos Auguste Lumière e Louis Lumière. Ou seja, na época, nem mesmo a ideia de assistir a imagens em movimento em uma sala de exibição fazia parte do cotidiano.
  • O Brasil era majoritariamente rural: a economia girava em torno da exportação de café, especialmente no Sudeste. A industrialização ainda era incipiente, e a maior parte da população vivia no campo, com acesso limitado a serviços urbanos e infraestrutura.
  • A escravidão havia sido abolida recentemente: a Lei Áurea, assinada em 1888 por Princesa Isabel, ainda era um marco recente. O país vivia os impactos sociais e econômicos do pós-abolição, sem políticas estruturadas de inclusão para a população negra libertada.
  • O voto não era secreto: o sistema eleitoral era aberto, o que facilitava pressões e fraudes. Esse modelo ajudou a consolidar práticas como o “voto de cabresto”, em que eleitores eram influenciados por líderes locais. O voto secreto só seria adotado no Brasil em 1932.
  • Os brasileiros viviam muito menos: dados históricos do IBGE indicam que, por volta de 1900, a expectativa de vida no Brasil era de cerca de 33,7 anos.

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Fonte: G1

Antes de Jorge Messias, quem foram os cinco candidatos a vaga de ministro do STF rejeitados pelo Senado?

Floriano Peixoto, presidente em 1894, última vez em que o Senado rejeitou um indicado ao STF, e Lula em 2026 (à direita). Foto: Reprodução / Reuters


Uma derrota histórica para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), seu indicado ao Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias, foi rejeitado pelo Senado.

O nome do advogado-geral da União recebeu 42 votos contrários e 34 favoráveis — era necessário o apoio de 41 votos para sua confirmação.

Essa é a primeira vez que isso ocorre em mais de cem anos. Os últimos casos foram no final do século 19.

Até então, na história da República brasileira, apenas cinco nomes apresentados pela Presidência ao Supremo não haviam sido referendados pelo Congresso.

Todos os casos foram durante a gestão do presidente Floriano Peixoto (1839-1895), que governou o país de 1891 a 1894.

Somente um deles, o médico Candido Barata Ribeiro (1843-1910), chegou a assumir o posto — foi ministro da Suprema Corte por dez meses, até ser barrado pelos senadores.

Vale ressaltar que naquele início de período republicano havia um entendimento ambíguo sobre um dos requisitos para que alguém fosse nomeado ministro do STF: em vez de "notório saber jurídico", pedia-se simplesmente "notório saber".

Quatro dos cinco nomes rejeitados pelo Senado não tinham formação em direito — e, à parte o clima de animosidade política, este foi o principal argumento dos parlamentares.


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Criação do STF

A história do STF remonta às estruturas que foram criadas quando a monarquia foi extinta e era preciso aparelhar institucionalmente o país com instrumentos semelhantes aos de outras repúblicas do mundo.

O órgão foi fundado em 1890, no ano seguinte à Proclamação da República. Embora seja herdeiro da chamada Casa da Suplicação do Reino Português, corte jurídica importada para a colônia quando a família real se transferiu para o Rio em 1808, tem funcionalidades e especificidades muito diversas daquele antigo tribunal.

Ao longo do século 19, o Brasil independente pós-1822 teve como esfera superior jurídica o Supremo Tribunal de Justiça, cujos membros eram chamados de conselheiros. No período, contudo, o papel de guardião da Constituição era prerrogativa do imperador — que gozava do poder moderador.

No formato contemporâneo, o STF tem 11 membros, com cargos vitalícios — a aposentadoria é compulsória aos 75 anos. Cabe a essa corte o zelo pela Constituição, o julgamento de casos em última instância e o julgamento penal daqueles com foro privilegiado, ou seja, políticos eleitos.


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Candido Barata Ribeiro, o médico



O mais famoso caso de rejeição do Senado a um nome apresentado pelo presidente foi o do médico Candido Barata Ribeiro.

Como o modelo previsto pela primeira Constituição republicana implicava na avaliação do Senado após a posse do membro do STF, ele chegou a exercer o cargo por dez meses, de novembro de 1893 a setembro de 1894.

"O ministro Candido Barata Ribeiro formou-se em Medicina. Foi o único ministro empossado do Supremo Tribunal Federal que não tinha formação em Direito", observou o ex-ministro Celso de Mello no livro Notas Sobre o Supremo Tribunal.

A rejeição dos parlamentares ocorreu em sessão secreta.

Nascido em Salvador e militante abolicionista, o médico tinha uma trajetória política importante. Havia sido prefeito do Rio de Janeiro, o então Distrito Federal, e era aliado de Floriano Peixoto.

Antes, nos últimos anos do império, atuou como responsável pela comissão de vacinação da então província de São Paulo.

Sua gestão à frente da Prefeitura do Rio ficou marcada por medidas higienistas, com demolição de habitações precárias e ações de limpeza urbana para combater epidemias. Considerado o cortiço mais famoso do Rio, o Cabeça de Porco, na zona portuária, foi completamente extinto durante sua administração.

Na época, havia dificuldade de controlar a disseminação de doenças como tuberculose, varíola e febre amarela.

De 1900 a 1909, Barata Ribeiro atuou como senador. Compôs, portanto, a mesma casa que havia vetado seu nome para o Supremo.

 

Inocêncio Galvão de Queiroz, engenheiro



Inocêncio Galvão de Queiroz (1841-1903), conforme informações do livro Marechal Graduado Inocêncio Galvão de Queiroz - Dados Biográficos, do escritor e militar Laurênio Lago (1869-1954), nasceu em Valença, na Bahia, e era graduado em matemática, ciências físicas e engenharia civil.

Queiroz começou sua carreira militar em 1859 e lutou na Guerra do Paraguai, entre 1864 e 1870. No histórico conflito, integrou a chamada comissão dos engenheiros. Voltou promovido a capitão.

Trabalhou como engenheiro no Ministério da Agricultura, Comércio e Obras Públicas ao longo dos anos 1870. Ainda no período monárquico, foi diretor de Obras Militares da então província de Alagoas, ocupou o mesmo cargo também na Bahia e foi comandante de Armas da província do Amazonas.

Galvão de Queiroz foi nomeado ministro do STF em setembro de 1894. Não chegou a tomar posse. O Senado, em sessão secreta, rejeitou seu nome em outubro do mesmo ano.

 

Francisco Raymundo Ewerton Quadros, engenheiro



Outro dos cinco nomes rejeitados pelo Senado foi o militar Francisco Raymundo Ewerton Quadros (1841-1919).

De acordo com o pesquisador e biógrafo Zêus Wantuil de Freitas (1924-2011), no livro Grandes Espíritas do Brasil, Quadros era filho de um capitão maranhense e se mudou para o Rio ainda jovem, onde se formou em matemática, ciências físicas e engenharia. Seguiu carreira militar, ocupando diversos postos no exército.

O biógrafo pontua que ele se tornaria aliado de Floriano Peixoto, sendo que, na época desse governo, Quadros dirigiu o Arsenal de Guerra e comandou a Escola Militar do Rio de Janeiro.

No âmbito pessoal, o militar era conhecido divulgador do espiritismo de base kardecista, cuja doutrina seguia pelo menos desde 1872. Tornou-se médium, fundou um grupo espírita no Rio em 1881 e, três anos mais tarde, se tornou o primeiro presidente da Federação Espírita Brasileira.

 

Antônio Caetano Sève Navarro, o subprocurador da República



O pernambucano Antônio Caetano Sève Navarro (1841-1898) formou-se em direito no Recife em 1861. No início da carreira, mudou-se para o Rio Grande do Sul, onde trabalhou como promotor público e, depois, juiz de paz. No Estado, atuou em Caçapava, Santana do Livramento e Bagé.

A partir dos anos 1870, empreendeu carreira política como deputado na mesma província do sul do país. Segundo informações compiladas pelo Superior Tribunal Militar (STM), ele ocupou esse cargo eletivo em seis ocasiões, até o fim do império.

Em março de 1891 ele se tornou subprocurador da República no Distrito Federal. Foi quando se aproximou de Floriano Peixoto, que então era o vice-presidente da República.

Em agosto de 1894 ele foi nomeado ministro do STM. No mês seguinte, o presidente Peixoto o designou para o STF — mas a negativa do Senado veio antes de sua posse.

Segundo a historiadora Rodrigues, nessa época Navarro atuava como procurador-geral da Fazenda na então capital federal e, "para facilitar a aprovação de seu nome pelo Senado", pediu para ser aposentado.

 

Demosthenes da Silveira Lobo, o diretor-geral dos Correios

Ele era coronel e comandava, como diretor-geral, os Correios na época: Demosthenes da Silveira Lobo foi outra tentativa infrutífera de Floriano Peixoto de emplacar um aliado no STF. Segundo a imprensa da época, foi por pouco: faltaram dois votos para que seu nome fosse aprovado pelos senadores.

Os jornais ressaltavam, contudo, que lhe faltava a base de conhecimentos necessários para o cargo. Notas foram publicadas alfinetando o indicado pelo presidente, dizendo que ele era visto comprando livros de direito para se preparar para a função.

A professora Barbosa, da ESPM, ressalta que, assim como Barata Ribeiro, Lobo "também não tinha formação jurídica". "Esse elemento forçou fundamentos para a rejeição [por parte dos senadores], deste e dos demais nomes", salienta ela. "Além dos contextos [políticos] específicos que estavam postos."

"Notadamente, quando se vê as qualificações dessas indicações, o Senado fez bem em rejeitá-las. O notável saber jurídico seria um tanto difícil de aparecer ali", comenta à BBC News Brasil o jurista Rubens Beçak, professor na Universidade de São Paulo (USP).

"Mas é preciso lembrar que as rejeições foram feitas em um momento de confrontação política do Senado frente ao então presidente Floriano Peixoto, que peitava, de certa maneira, as instituições", ressalta Beçak.

O jurista concorda que oficialmente o Senado se fiou no argumento de falta de "saber jurídico" mas que "numa análise mais detida", o que provocou os vetos aos nomes foi "o elemento político".


Fonte: BBC

Quem é Jorge Messias, pernambucano indicado por Lula ao STF que foi rejeitado pelo Senado

Jorge Messias, advogado geral da União no governo Lula.
Foto: Evaristo Sá/AFP


O advogado-geral da União, Jorge Messias, se tornou o primeiro indicado por um presidente da República a uma vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) a ser rejeitado pelo Senado desde 1894.

O nome de Messias foi rejeitado por 42 senadores em votação no plenário, e recebeu o apoio de apenas 34 — eram necessários 41 votos a favor para o indicado de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ser referendado.

Antes, Messias havia sido sabatinado pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) e aprovado por 16 votos a 11. Ao responder as perguntas dos senadores, ele se declarou "totalmente contra o aborto" ao mesmo tempo em que defendeu sua legalidade nos casos já autorizados pela Constituição e pela jurisprudência do STF (em caso de risco à vida da mãe, em caso de estupro e em caso de anencefalia).

Também relatou sua origem evangélica e se descreveu como "servo de Deus", mas afirmou que o Estado é laico. Também afirmou que o STF não pode ser omisso nem praticar "ativismo".

Defendeu sua atuação como advogado-geral da União no processo contra os condenados pelo 8 de Janeiro e afirmou, sobre sua relação com Lula, que nunca teve vínculos pessoais diretos com o presidente.

Messias foi o terceiro indicado de Lula no atual mandato para o Supremo, que tem atualmente quatro ministros nomeados pelo petista.

Cristiano Zanin e Flávio Dino chegaram à Corte no atual governo; Cármen Lúcia foi indicada no primeiro; e Dias Toffoli no segundo. Outros dois — Luiz Fux e Edson Fachin — foram indicados pela sucessora de Lula, Dilma Rousseff (PT).

O decano do STF, Gilmar Mendes, foi indicação de Fernando Henrique Cardoso, e Alexandre de Moraes, de Michel Temer (MDB). Jair Bolsonaro indicou outros dois: Kássio Nunes Marques e André Mendonça.

Sua indicação foi feita em novembro para ocupar a cadeira deixada pelo ministro Luís Roberto Barroso, que se aposentou em outubro, mas só foi formalizada por Lula em abril, diante da insatisfação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), que preferia que o senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) fosse apontado para a vaga na Corte.


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Quem é Messias?

Jorge Rodrigo Araújo Messias tem 45 anos e é natural de Pernambuco. Está no governo desde o início da terceira gestão Lula, em 2023.

 

Saiba os principais pontos da trajetória de Jorge Messias:

  • Tomou posse na AGU em 2023, no início do governo Lula. Antes mesmo da nova gestão começar, já integrava a equipe de transição;
  • Servidor público desde 2007, com atuação em diversos órgãos do Executivo, como o Banco Central (2006-2007) e o BNDES ();
  • É considerado um nome de confiança de Lula, com apoio de ministros do PT e da ala palaciana;
  • Mantém relação próxima e leal com o presidente, desde os tempos do governo Dilma Rousseff.
  • Como advogado-geral da União, defendeu as instituições democráticas, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF), diante das ameaças do governo dos Estados Unidos, chefiado por Donald Trump;
  • Também liderou ações judicias ligadas a pautas consideradas estratégicas para o governo Lula, como a defesa do decreto do IOF, derrubado no Congresso, e a regulamentação de redes sociais

 

Carreira

Formado em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (UFPE), é mestre pela Universidade de Brasília (UnB). Ingressou na Advocacia-Geral da União como procurador da Fazenda Nacional, função voltada à cobrança de dívidas fiscais de contribuintes inadimplentes com a União.

Ao longo da carreira, ocupou diversos cargos estratégicos no Executivo: foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência da República, secretário de Regulação e Supervisão da Educação Superior no Ministério da Educação e consultor jurídico nos ministérios da Educação e da Ciência, Tecnologia e Inovação.

Também atuou como procurador do Banco Central e do BNDES.


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Na transição e no governo Lula

Em 2022, integrou a equipe de transição do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva. Foi anunciado para o comando da AGU em dezembro daquele ano e tomou posse em janeiro de 2023. A instituição tem papel central na assessoria jurídica da Presidência e na representação da União junto ao Supremo Tribunal Federal.

 

No governo Dilma

Durante o governo Dilma Rousseff, Messias ocupou o cargo de subchefe para Assuntos Jurídicos (SAJ).

Ficou conhecido nacionalmente após ter seu nome citado em uma conversa entre Dilma e Lula, interceptada pela Operação Lava Jato. Na gravação, seu nome foi ouvido como “Bessias”, por conta da qualidade do áudio.


Fontes: G1 e BBC

Meltdown e shutdown no TEA: você sabe a diferença?



Meltdown e shutdown são respostas a sobrecargas sensoriais ou emocionais no autismo (TEA). O meltdown é uma crise externa e explosiva (choro, gritos, agressividade), enquanto o shutdown é um "desligamento" interno (silêncio, apatia, isolamento). Ambos não são birras, mas reações a estresse extremo que exigem redução de estímulos.


Meltdown: A Explosão Externa 

O que é: Uma perda de controle emocional, onde o autista "explode".

Comportamentos: Gritos, choro, correr, auto ou heteroagressividade, resistência, incapacidade de ouvir ou entender comandos.

Causa: Sobrecarga de estímulos (luz, som, rotina) que o cérebro não consegue processar.

Como agir: Leve para um local calmo, reduza estímulos visuais/auditivos, evite perguntas ou falar muito, e garanta a segurança física.


Shutdown: O Desligamento Interno 

O que é: Uma resposta de "congelamento" (freeze), onde o sistema nervoso trava.

Comportamentos: Ficar calado, olhar vago, catatonia, exaustão extrema, necessidade de isolamento, perda de apetite e inação.

Causa: Os mesmos fatores do meltdown (sobrecarga sensorial/emocional), mas a reação é internalizada.

Como agir: Ofereça um espaço seguro e silencioso para a pessoa descansar, respeite o isolamento, minimize demandas e aguarde o tempo de recuperação (que pode durar de minutos a dias).


Diferenças Principais

Visibilidade: Meltdown é visível e barulhento; Shutdown é silencioso e invisível.

Ação: Meltdown é "luta" (externalizado); Shutdown é "congelamento" (internalizado).

Recuperação: O Shutdown pode ser um reflexo de um meltdown anterior ou uma forma alternativa de lidar com a sobrecarga. 


Em ambos os casos, a prevenção através do reconhecimento dos sinais de alerta e a regulação sensorial (como o uso de fones abafadores) são as melhores estratégias. 


Fonte: Autismo e Realidade

Cochilos longos e frequentes podem aumentar risco de mortalidade; entenda relação



Cochilos longos (mais de 60 minutos) e frequentes durante o dia estão associados a um aumento de até 34% no risco de mortalidade por todas as causas, com especial atenção para doenças cardiovasculares, segundo estudos recentes. Embora a soneca seja vista como um descanso, a necessidade de dormir muito tempo durante o dia é, muitas vezes, um marcador de problemas de saúde subjacentes, e não a causa direta da mortalidade. 


A Relação entre Cochilos e Riscos de Saúde:

  • Risco aumentado: Cochilos com mais de uma hora estão ligados a um risco 30% maior de morte por todas as causas e 34% para doenças cardiovasculares.
  • Idosos e Mulheres: A vulnerabilidade é maior em pessoas idosas (aumento de 17% a 20% no risco) e mulheres (aumento de 22% em comparação com quem não cochila).
  • Sinal de Alerta: Cochilos frequentes e longos podem indicar apneia do sono, insônia, doenças cardiovasculares, diabetes tipo 2 ou inflamação sistêmica.
  • "Inércia do Sono": Cochilos acima de 30-60 minutos podem causar confusão mental e fadiga ao acordar, além de prejudicar o sono noturno. 


Por que o Cochilo Longo é Prejudicial?

A necessidade de longas sonecas indica que o corpo pode estar tentando compensar uma noite de sono de má qualidade, ou que o sistema de regulação do sono (ritmo circadiano) está desajustado.

  • Sintoma de doenças subjacentes: A pesquisa sugere que não é o cochilo em si que causa a morte, mas o fato de que a necessidade de dormir muito durante o dia reflete problemas de saúde ocultos.
  • Apneia do Sono: É uma das principais causas de sonolência diurna excessiva, onde a respiração é interrompida durante o sono, reduzindo a oxigenação e sobrecarregando o coração.
  • Inflamação e Metabólico: Sonecas longas estão ligadas a maiores taxas de obesidade, hipertensão e diabetes.
  • Inércia do Sono: Acordar de um sono profundo (após 60 min) gera sonolência e desorientação. 


Cochilos Curtos são Seguros?

Sim. Especialistas, incluindo os da Harvard Medical School, recomendam que cochilos sejam: 

  • Curtos: Entre 20 e 30 minutos.
  • Cedo: Preferencialmente logo após o almoço, evitando o final da tarde para não atrapalhar o sono noturno. 


Recomendação: Se a necessidade de cochilar é constante e longa, é recomendado procurar um médico para avaliar possíveis distúrbios do sono ou condições crônicas. 


Fontes:

Mass General Brigham

JAMA Network Open

Curiosidade: Como é fabricado um extintor de incêndio?



A fabricação de um extintor de incêndio é um processo industrial rigoroso que combina metalurgia de precisão e engenharia química para garantir que o dispositivo suporte altas pressões e funcione instantaneamente em emergências.


Abaixo, detalhamos as etapas principais do processo:
1. Fabricação do Cilindro (Corpo)
O cilindro é a parte que armazena o agente extintor sob pressão.
  • Corte e Moldagem: Chapas de aço carbono ou ligas de alumínio são cortadas e moldadas em prensas hidráulicas.
  • Soldagem: As partes (corpo cilíndrico, cúpula superior e fundo) são unidas através de solda MIG ou processos de brasagem (fusão com anéis de cobre em fornos de alta temperatura).
  • Tratamento e Pintura: O cilindro passa por limpeza e desengraxagem. Em seguida, recebe pintura eletrostática a pó na cor vermelha, que é curada em estufas para garantir resistência à corrosão. 

2. Componentes Internos e Válvulas
  • Tubo Sifão: Um tubo (geralmente de alumínio ou plástico) é inserido no cilindro. Ele alcança o fundo para garantir que o agente extintor seja expelido quando o gatilho for acionado.
  • Válvula e Gatilho: Fabricados em latão forjado ou metais não ferrosos, esses componentes controlam o fluxo de saída e incluem o manômetro (que indica a pressão interna) e o pino de segurança com lacre.

3. Carga do Agente Extintor
O cilindro é preenchido com o material específico para combater o fogo, dependendo da classe:
  • Pó Químico (ABC ou BC): Composto principalmente por fosfato monoamônico ou bicarbonato de sódio.
  • Água ou Espuma: Misturas líquidas pressurizadas.
  • Dióxido de Carbono (CO2): Armazenado em estado líquido sob altíssima pressão.

4. Pressurização e Testes de Qualidade
  • Pressurização: Após o enchimento, o extintor é pressurizado com nitrogênio ou ar comprimido até atingir a pressão operacional (geralmente cerca de 13 a 14 bar).
  • Teste Hidrostático: Antes de sair da fábrica, cada cilindro é submetido a testes de pressão para verificar se não há vazamentos ou deformações, garantindo a conformidade com normas como a ABNT NBR 15808.
  • Sinalização: São aplicados o rótulo de instrução e o selo do Inmetro, que atesta a segurança do produto.

Os extintores são classificados de acordo com o tipo de material que o seu agente extintor (o conteúdo interno) é capaz de apagar. O uso do extintor errado pode agravar o incêndio.

Aqui estão os principais tipos e suas aplicações:
1. Extintor de Água Pressurizada (Classe A)
  • Indicação: Fogos em materiais sólidos que deixam resíduos, como madeira, papel, tecido e borracha.
  • Como age: Por resfriamento.
  • Atenção: Nunca use em equipamentos elétricos (conduz eletricidade) ou em óleo/líquidos inflamáveis (espalha as chamas).

2. Extintor de Dióxido de Carbono (CO2) (Classes B e C)
  • Indicação: Ideal para equipamentos elétricos energizados (computadores, quadros de força) porque não conduz eletricidade e não deixa resíduos. Também é eficaz em líquidos inflamáveis.
  • Como age: Por abafamento e resfriamento rápido.
  • Dica: É fácil de identificar porque não possui manômetro (relógio de pressão) e tem um "difusor" largo na ponta.
3. Extintor de Pó Químico (PQS)
Existem dois tipos principais de pó:
  • Pó BC: Indicado para líquidos inflamáveis (B) e eletricidade (C).
  • Pó ABC: O mais versátil e comum hoje em dia, pois atende a todas as classes principais (A, B e C). É muito usado em carros e edifícios comerciais.
  • Como age: Interrompe a reação química do fogo por abafamento.
4. Extintores Especiais (Classes D e K)
  • Classe D (Pó Especial): Para metais combustíveis (como magnésio e titânio), comuns em indústrias.
  • Classe K (Acetato de Potássio): Específico para cozinhas industriais (óleo de cozinha e gordura quente).
Guia Rápido de Classes de Fogo:
  • A: Sólidos (madeira, papel)
  • B: Líquidos inflamáveis (gasolina, álcool)
  • C: Equipamentos elétricos (TVs, motores)
  • D: Metais pirofóricos
  • K: Óleos e gorduras vegetais/animais

Para garantir a segurança, você pode verificar a validade no selo do Inmetro fixado no cilindro.

Curiosidade: Como é feito um comprimido efervescente?

 A fabricação de um comprimido efervescente baseia-se em uma reação química planejada entre um ácido e uma base, que só ocorre na presença de água. 




Abaixo estão as etapas e os componentes principais desse processo: 

1. Composição Química (Os Ingredientes) 
Para que o comprimido borbulhe e se dissolva rapidamente, a fórmula combina três elementos essenciais: 
  • Ácido Orgânico: Geralmente ácido cítrico ou ácido tartárico.
  • Base Carbonada: Comumente bicarbonato de sódio ou carbonato de sódio.
  • Princípio Ativo: O medicamento em si (como Vitamina C, aspirina ou antiácidos).
  • Excipientes: Adoçantes, corantes e aromatizantes para melhorar o sabor.

2. O Processo de Produção (Fabricação) 
A fabricação exige um ambiente extremamente controlado, pois a umidade do ar pode ativar a reação antes da hora, arruinando o lote. 
  • Mistura Seca: Os ingredientes em pó são misturados de forma homogênea.
  • Granulação: Frequentemente, os pós passam por um processo de granulação para garantir que o comprimido não se esfarele e que a dissolução seja uniforme.
  • Compressão: A mistura é levada a uma prensa onde recebe toneladas de pressão para formar o disco sólido que conhecemos.
  • Envase Especial: Os comprimidos são selados em tubos herméticos ou blísters de alumínio para proteção total contra a umidade externa. 

3. Como a Reação Acontece no Copo 
Quando você joga o comprimido na água, o ácido e o bicarbonato (que estavam "separados" no estado sólido) finalmente se misturam e reagem quimicamente. 

  • Essa reação libera Dióxido de Carbono (
    CO2
    )
    , que cria as bolhas características.
  • O movimento das bolhas ajuda a fragmentar o comprimido, espalhando o princípio ativo na água de forma rápida e uniforme. 

Dica de Uso:
É recomendado esperar a efervescência terminar completamente antes de beber, para garantir que todo o medicamento tenha sido liberado e esteja pronto para ser absorvido pelo organismo